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Lucas D. Camargos Médico · Radiologia e Diagnóstico por Imagem

RM · Pelve masculina

RM de próstata multiparamétrica ou RM de pelve?

Situações genéricas, nunca um caso concreto.

A decisão em uma frase

Multiparamétrica é um protocolo com sequências, tempos e critérios próprios. RM de pelve genérica não gera categoria PI-RADS.

A pergunta que decide

A pergunta é sobre a próstata em si, ou sobre outra estrutura da pelve?

Corte transversal da próstata na altura média, mostrando a zona periférica em volta, a zona de transição no centro em torno da uretra, e a cápsula delimitando a glândula.

Prancha 04As zonas da próstataIlustração educativa

As zonas da próstata em corte axial médio. O protocolo multiparamétrico lê a glândula por essa divisão.

  • Em vermelho-óxido: Anatomia zonal
  • Zona periférica (1)
  • Zona de transição, ao redor da uretra (2)
  • Zona central (3)
  • Estroma fibromuscular anterior (4)
  • Uretra prostática (5)
  • Vesícula seminal (6)
A próstata na ressonância — desenho anatômico a grafite sobre papel marfim; em vermelho-óxido, anatomia zonal em T2. A imagem não traz texto: as estruturas estão na legenda.

Prancha 78A próstata na ressonânciaIlustração educativa

A mesma anatomia zonal, agora no exame de verdade: um corte axial de ressonância ponderado em T2, na altura média da glândula. A zona periférica (PZ) aparece clara e homogênea; a zona de transição (TZ), mais escura e heterogênea no meio. A linha escura fina entre as duas é a pseudocápsula. O radiologista lê esse contraste entre as zonas para dizer, no laudo, onde o achado está.

  • Em vermelho-óxido: Anatomia zonal em T2
  • Zona periférica (PZ), clara em T2, de onde vem a maioria dos cânceres
  • Zona de transição (TZ), mais escura, ao redor da uretra
  • Pseudocápsula, a linha escura entre as duas zonas (17)
  • Fáscia pélvica (10 e 16) e feixes neurovasculares (11)

As opções

RM de próstata multiparamétrica

Quando

  • PSA elevado, com ou sem biópsia prévia negativa
  • Toque retal alterado
  • Antes da primeira biópsia, para dirigir a coleta
  • Vigilância ativa
  • Estadiamento local de doença já confirmada
Ganha
Difusão e estudo dinâmico com contraste, lidos por critérios definidos. Produz categoria PI-RADS e a localização por setor, que é o que permite dirigir a biópsia.
Perde
Mais longo. Precisa de preparo e, em geral, de antiespasmódico.

RM de pelve

Quando

  • Massa pélvica não prostática
  • Doença de reto, bexiga ou parede
  • Avaliação óssea da pelve
Ganha
Campo maior, com visão do conjunto.
Perde
Não tem as sequências nem os tempos da multiparamétrica. Não gera categoria e não permite direcionar biópsia com segurança.

Onde o pedido costuma se perder

Numa RM de pelve o laudo até descreve a próstata, mas atribuir categoria sem o protocolo seria dar um número que os critérios não sustentam.

Como pedir

RM de próstata multiparamétrica, PSA 6,8, toque normal, sem biópsia prévia. Classificar por PI-RADS.

Informar PSA, data da coleta, biópsias anteriores e uso de finasterida ou dutasterida.

Texto genérico. Não contém dado de paciente.

O que o serviço precisa saber

  • PSA e a data
  • Biópsia prévia e há quanto tempo, sangramento recente atrapalha a leitura
  • Uso de inibidor de 5-alfa-redutase
  • Prótese de quadril, que gera artefato importante

Guia de protocolo, não de conduta. A escolha do exame depende do caso, e o caso é de quem assina o pedido. Um exame clinicamente adequado não é, por isso, um exame coberto pelo plano.