Rascunho — sem revisão clínica
O que muda no protocolo quando a indicação vem escrita
A indicação não é cadastro. Ela seleciona fases de contraste, sequências, campo, posicionamento, manobras e qual prévio será buscado.
Situações genéricas, nunca um caso concreto.
Fases do contraste
Caracterizar lesão hepática exige estudo multifásico — sem arterial não há como avaliar realce precoce. Estadiamento aceita fase única. Pesquisa de sangramento ativo pede fase tardia.
Sem indicação, o protocolo padrão é escolhido pelo nome do exame, e não pela pergunta. O laudo então descreve bem e caracteriza mal.
Sequências e aquisições
Pesquisa de endometriose profunda muda o protocolo inteiro: preparo, antiespasmódico, aquisições dirigidas aos compartimentos. Feito como RM de pelve genérica, o exame perde alcance e o laudo registra isso.
Difusão, supressão de gordura e fase fora de fase entram ou saem conforme a pergunta. Nenhuma delas é gratuita em tempo de sala.
Posicionamento e manobras
Pesquisa de hérnia exige Valsalva e ortostatismo. Feito deitado e estático, o exame pode ser normal com a hérnia existindo.
Refluxo venoso se mede em pé. Resíduo pós-miccional exige a segunda medida. Nada disso acontece por acaso.
Campo de estudo
Extensão craniocaudal, lateralidade e inclusão de segmentos adjacentes dependem da pergunta. Um campo escolhido pelo nome do exame é um campo escolhido no escuro.
Qual prévio será buscado
Escrever "controle de nódulo pulmonar de 6 mm, TC de 12/2025" faz o serviço localizar aquele exame e medir do mesmo jeito, no mesmo plano.
Escrever "controle" faz alguém procurar sem saber o quê.
O que não se sabe se não estiver escrito
Cirurgia prévia e o que foi retirado. Prótese, material de síntese, marca-passo. Tratamento em curso. Gestação ou possibilidade dela. Função renal quando há contraste. Alergia prévia. Data da última menstruação em pelve. Peso quando o protocolo depende dele.
Cada item muda protocolo, preparo, ou a leitura de um achado que sem ele pareceria outra coisa.